Golpe do Pix: como reconhecer e pedir o dinheiro de volta
Golpe do Pix é uma fraude em que alguém engana você para que faça um pagamento por Pix ou devolva um dinheiro que você não devia. O Pix tem várias camadas de proteção, então os golpistas costumam mirar a pessoa: uma mensagem falsa, uma emergência inventada ou um pagamento enviado de propósito.
Neste guia
- O golpista ataca a pessoa, não o Pix
- Cinco golpes para reconhecer
- O que fazer se você receber um Pix por engano?
- Como funciona o MED
- Se você caiu num golpe: o que fazer primeiro
- Pix, Lex e transferências que ninguém pode desfazer
- Um exemplo: os R$300 que chegaram por engano
O golpista ataca a pessoa, não o Pix
A velocidade é o que faz o golpe funcionar. Um Pix chega à outra conta em segundos, e o golpista movimenta o dinheiro com a mesma rapidez. A página de segurança no Pix do Banco Central descreve as proteções do sistema e um mecanismo de devolução para vítimas de fraude, e deixa claro que a recuperação não é garantida. A prevenção é a parte que depende de você.
Cinco golpes para reconhecer
O número novo. Uma mensagem de um suposto parente diz que trocou de celular e precisa de um Pix urgente. Antes de pagar, ligue para o número antigo ou pergunte algo que só essa pessoa saberia.
O vendedor falso. Um anúncio muito abaixo do preço de mercado pede pagamento por Pix antes da entrega, muitas vezes para uma chave cujo nome não bate com o do vendedor. Confira o nome que o banco mostra antes de confirmar e, com desconhecidos, prefira meios de pagamento que protegem o comprador.
A falsa central. Alguém se passa pela equipe de segurança do seu banco, diz que a sua conta está sob ataque e orienta você a transferir o dinheiro para uma conta segura. Banco de verdade não pede que você transfira dinheiro para protegê-lo. Desligue e ligue para o número do seu cartão.
O Pix errado, explicado abaixo, e o comprovante falso: um comprador mostra o comprovante de um Pix apenas agendado e depois cancela o agendamento. Confira se o dinheiro está na sua conta, e não se alguém mostra uma captura de tela.
O que fazer se você receber um Pix por engano?
Devolva somente pela transação original. A Febraban, a federação dos bancos, alertou para um esquema em que o golpista envia um Pix para a chave de celular da vítima, liga dizendo que foi engano e pede a devolução para uma conta diferente. Depois, ele contesta o pagamento original, e o banco retira o mesmo valor da vítima pela segunda vez.
A orientação da Febraban é abrir o pagamento recebido no app do banco e usar a opção de devolução, que envia o dinheiro automaticamente para a conta de origem. Nunca devolva com um Pix novo para uma chave que alguém indicar, e ligue para o seu banco se tiver dúvida.
Como funciona o MED
O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é uma ferramenta do Pix para ajudar vítimas de fraude a tentar recuperar o dinheiro. Segundo o Banco Central do Brasil, você aciona o MED pelo aplicativo da sua instituição, e todas as instituições devem oferecer esse serviço no app. Os recursos na conta de quem recebeu são bloqueados temporariamente enquanto as instituições envolvidas analisam o caso.
Se a fraude for confirmada, o valor pode ser devolvido integral ou parcialmente, conforme o saldo que restar na conta do golpista ou de outras contas envolvidas. Você pode pedir a devolução em até 80 dias após a transação, mas quanto antes, melhor. O MED não vale para desacordos comerciais, para um Pix enviado à pessoa errada porque você não conferiu o nome, nem para dinheiro que chegou a alguém que não participou do golpe.
Se você caiu num golpe: o que fazer primeiro
Conteste a transação no app do banco imediatamente para acionar o MED e registre um boletim de ocorrência. Se o banco não resolver, você pode fazer uma reclamação ao Banco Central. Use o Registrato do Banco Central para verificar se existem contas ou chaves Pix em seu nome que você não reconhece, e ative o BC Protege+ para impedir a abertura de contas no seu nome.
Guarde o comprovante, o identificador da transação, as mensagens e os números de telefone envolvidos. Troque qualquer senha que você possa ter compartilhado. E desconfie de quem entrar em contato oferecendo recuperar o dinheiro mediante pagamento; esse é um segundo golpe comum.
Pix, Lex e transferências que ninguém pode desfazer
O Lex oferece uma rota Pix para adicionar reais. Um depósito no Lex sempre começa no app: quando a rota está disponível para a sua conta, o Lex gera um código Pix para aquela operação, com valor e validade, e você paga a partir de uma conta no seu próprio nome. Se alguém enviar um código Pix dizendo que ele serve para carregar a sua conta no Lex, não é um depósito do Lex.
Depois que os reais chegam ao Lex, o saldo fica numa conta de autocustódia. O MED cobre pagamentos por Pix entre instituições; ele não cobre transferências de tokens entre carteiras, que ninguém pode desfazer, nem o Lex. Confira cada endereço de carteira antes de enviar e nunca compartilhe a sua chave de acesso nem os códigos que o Lex envia para o seu e-mail.
Um exemplo: os R$300 que chegaram por engano
Exemplo ilustrativo. Ana mora em Salvador e recebe um Pix de R$300 de alguém que não conhece. Minutos depois, um homem liga, pede desculpas pelo engano e pede que ela envie o dinheiro para a chave da esposa dele, porque a conta dele está bloqueada.
Ana se lembra do alerta. Ela abre o pagamento recebido no app do banco e usa a opção de devolução, que manda os R$300 de volta para a conta de origem. Diz ao homem que o dinheiro já voltou para a conta original e desliga quando ele insiste na outra chave.
Se tivesse feito um Pix novo para a chave da esposa, o homem poderia contestar o pagamento original pelo MED, e o banco de Ana poderia retirar mais R$300 da conta dela. Devolver pela transação original fechou o ciclo: o dinheiro voltou para onde veio, e o registro comprova isso.