Moedas
Stablecoins: o que lastreia os dólares, euros e reais que você tem
O que é uma stablecoin, quem emite a USDC e as stablecoins de outras moedas, por que elas não são depósitos bancários e como usá-las para o dinheiro que você vai usar em breve.
Neste guia
- Um token criado para manter o valor de uma moeda
- Moedas diferentes, emissores diferentes
- Não é um depósito bancário
- Dinheiro para hoje, não uma aposta
- Como as stablecoins funcionam no Lex
- Um exemplo: reais para o próximo mês
Um token criado para manter o valor de uma moeda
Uma stablecoin é um token digital criado para manter um valor estável em relação a uma moeda, quase sempre o dólar americano. Diferentemente de um saldo bancário, ela é um token registrado em uma blockchain e guardado em uma carteira. Seu valor depende da empresa emissora: o emissor cria tokens quando os clientes entregam dinheiro, mantém ativos em reserva e retira tokens quando os clientes fazem o resgate.
A USDC, stablecoin em dólar que o Lex mostra como US Dollar, é emitida pela Circle. Segundo a página de transparência da Circle, a maior parte das reservas da USDC fica em um fundo do mercado monetário de títulos públicos registrado na SEC, com dinheiro, títulos do Tesouro americano de curto prazo e operações compromissadas de um dia; o restante fica em dinheiro em grandes bancos. A Circle divulga as reservas toda semana, e uma das quatro grandes firmas de auditoria confirma todo mês que as reservas superam a quantidade de USDC em circulação.
Essas informações são um bom motivo para preferir uma stablecoin bem documentada a uma desconhecida. Ainda assim, são afirmações do emissor e dos auditores; por isso vale saber quem está por trás de cada token que você tem, em vez de tratar como iguais todas as moedas que dizem “dólar”.
Moedas diferentes, emissores diferentes
Também existem stablecoins de outras moedas, e cada uma é um produto diferente. A EURC é a stablecoin em euro da Circle; a Circle afirma que ela é lastreada em euros mantidos em instituições financeiras reguladas do Espaço Econômico Europeu e que cumpre o regulamento MiCA da União Europeia. A MXNB acompanha o peso mexicano e é emitida pela Juno, do grupo Bitso. A BRLA acompanha o real e é emitida pela Avenia, que informa manter as reservas em títulos públicos brasileiros e custódia regulada, com relatórios mensais.
Cada emissor define sua política de reservas, a frequência dos relatórios e as condições de resgate, e cada moeda tem sua própria liquidez de mercado. Uma stablecoin em dólar com bilhões em negociações diárias costuma ser trocada em valores altos a um preço próximo do seu objetivo. Uma stablecoin menor, de outra moeda, pode custar mais na conversão, principalmente em valores altos ou em momentos de pouco movimento.
A Base, rede usada pelo Lex, suporta muitas stablecoins, incluindo várias de moedas locais. Estar na mesma rede torna a conversão possível, mas não torna duas moedas equivalentes. O nome da moeda é o ponto de partida; os detalhes estão nos documentos do emissor.
Não é um depósito bancário
Uma stablecoin não é um depósito bancário, mesmo quando parte das reservas está em bancos. Ela não tem cobertura da FDIC, do IPAB, do FGC ou de qualquer seguro de depósitos, e o preço pode se afastar do objetivo. Cada emissor define as condições de resgate, que podem ser limitadas a clientes com conta própria; a maioria das pessoas as vende ou converte por meio de um app ou de uma plataforma de negociação.
Março de 2023 mostrou o que isso significa. Quando o Silicon Valley Bank quebrou, a Circle informou que US$ 3,3 bilhões das reservas da USDC, cerca de 8% do total, estavam nesse banco. Uma análise do Federal Reserve mostrou que a USDC chegou a ser negociada a 86 centavos enquanto o mercado primário da Circle ficou fechado no fim de semana. Quando as autoridades americanas anunciaram que todos os depositantes do SVB seriam protegidos, as reservas voltaram a ficar disponíveis e o preço retornou a cerca de um dólar.
O episódio terminou bem para quem esperou, mas a lição é estrutural. A qualidade das reservas, os bancos que guardam parte delas e a capacidade do emissor de processar resgates em momentos de estresse afetam quanto uma stablecoin vale em determinado momento. Ter uma significa aceitar esse risco em troca de um saldo em uma moeda que você pode guardar e movimentar pela sua própria carteira.
Dinheiro para hoje, não uma aposta
Stablecoins servem para o dinheiro que você espera usar em breve: despesas dos próximos meses, uma reserva para imprevistos ou um pagamento que você pretende fazer em outra moeda. O Investor.gov descreve o horizonte de tempo como um fator básico para decidir como distribuir o dinheiro: o que você vai usar em alguns meses geralmente fica em aplicações mais estáveis do que o dinheiro pensado para décadas.
Ter uma stablecoin de outra moeda adiciona exposição ao câmbio sempre que você a mede em outra moeda. Um saldo em BRLA mantém a quantidade em reais, enquanto seu valor em dólares acompanha o real. Isso pode ser útil quando uma despesa próxima é em reais e uma fonte de perda quando não é. Converter de um lado para outro para aproveitar movimentos de curto prazo soma custos sem uma recompensa confiável.
Stablecoins também não substituem um plano de investimento. Elas foram criadas para manter um valor, não para crescer. O dinheiro que você não vai usar por anos pode ser investido separadamente, sabendo que investimentos podem perder valor; o dinheiro que você vai usar em breve fica melhor onde o valor é mais fácil de prever.
Como as stablecoins funcionam no Lex
No Lex, as stablecoins aparecem em Moedas, na tela inicial, com a USDC como US Dollar ao lado das stablecoins de euro, peso, real, dólar canadense ou libra que você tiver. Elas ficam na sua carteira autocustodiada na Base, em uma seção separada das suas ações.
Se estiver disponível para sua conta, a opção Receber na aba Transferir oferece instruções bancárias para transferências em dólar por ACH ou wire, em euro por SEPA e em libra por Faster Payments. A Bridge processa essas transferências, converte o dinheiro recebido e o entrega na sua carteira como USDC. As transferências bancárias exigem verificação de identidade com a Bridge. O Lex cobra uma taxa de 0,25% nas transferências bancárias de entrada e saída; as taxas da própria Bridge e qualquer conversão de moeda também afetam o valor final. Receber também mostra o endereço da sua carteira na Base para transferências de outras carteiras.
Para ter outra moeda, use Comprar moedas. A cotação mostra a taxa de câmbio com taxas incluídas antes da sua aprovação; o Lex não cobra taxa nas conversões e atualmente paga as taxas de rede. As compras começam em US$ 5 e têm limite de US$ 1.000 por ordem. Para sair, Enviar pode pagar USDC em uma conta bancária nos EUA, em euros ou no Reino Unido, ou mover um ativo compatível para outro endereço na Base; para sacar para um banco, converta antes as outras moedas para USDC.
Um exemplo: reais para o próximo mês
Valores apenas ilustrativos. Mateus mora em Belo Horizonte e guarda no Lex o dinheiro que vai usar nos próximos meses. Ele adiciona US$ 1.000 por ACH a partir da própria conta bancária nos EUA. Depois da taxa do Lex de 0,25%, ou US$ 2,50, e supondo que não haja outras cobranças do provedor, chegam US$ 997,50 à carteira dele como USDC.
Ele espera gastar cerca de R$ 2.700 no próximo mês e converte US$ 500 de USDC para BRLA. Antes de aprovar, revisa a taxa de câmbio com taxas incluídas e o valor mínimo que vai receber. O restante fica em USDC para despesas que ele espera pagar em dólar, e nada disso é dinheiro que ele pretende investir no longo prazo.
Se o real se desvalorizar 5% em relação ao dólar antes de ele gastar, a BRLA continua cobrindo as mesmas despesas em reais, mas o valor em dólares cai cerca de 5%. Se o real se valorizasse, aconteceria o contrário. Usar a moeda de uma despesa próxima elimina uma fonte de incerteza; não é uma previsão, e cada conversão tem um custo que a cotação mostra antes da aprovação.