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Moedas

Drex: o que é o real digital e como difere de uma stablecoin

O Drex é o projeto do Banco Central do Brasil para levar o real ao formato digital, numa plataforma de serviços financeiros; antes, ele se chamava Real Digital. Hoje não é possível usá-lo: o piloto com bancos e reguladores encerrou duas fases, e o Banco Central não definiu data de lançamento para o público.

Equipe Lex5 min de leituraPublicado

Neste guia

  1. Um projeto do Banco Central para o real
  2. Em que pé está o Drex hoje?
  3. Drex, Pix e o dinheiro digital de um banco central
  4. O que mudaria para você se o Drex fosse lançado?
  5. No que uma stablecoin em dólar é diferente
  6. O que o Lex oferece, e o que não oferece
  7. Um exemplo: uma oferta para comprar Drex antes do lançamento

Um projeto do Banco Central para o real

Segundo a descrição do Banco Central, o Drex tornaria disponíveis transações financeiras seguras com ativos digitais numa plataforma única operada pelo BC. O acesso seria por um intermediário autorizado, como o seu banco, que transferiria dinheiro da sua conta para uma carteira Drex. O Drex seria em reais, como qualquer outro real.

Em que pé está o Drex hoje?

Até agora, o Drex existiu apenas como teste. Segundo a página do Piloto Drex, participaram o Banco Central, a CVM, o Tesouro Nacional e instituições autorizadas. Os usuários finais não participaram; as operações deles foram simuladas. As fases 1 e 2 aparecem como encerradas.

A resposta do Banco Central sobre a data de lançamento é que não há data específica, e que testes com a população só viriam quando o projeto e os participantes do mercado tivessem atingido a maturidade adequada. Em agosto de 2025, reportagens que citavam integrantes do BC informaram que a etapa seguinte se concentraria no registro de gravames sobre ativos usados como garantia de empréstimos, e não começaria com blockchain.

Por isso, se alguém oferecer hoje Drex, uma carteira Drex ou uma forma de comprá-lo antecipadamente, a oferta não é genuína. As páginas do próprio Banco Central são o lugar para acompanhar as novidades.

Drex, Pix e o dinheiro digital de um banco central

Uma moeda digital de banco central é uma forma digital de dinheiro emitida pelo próprio banco central, como explica o Banco de Compensações Internacionais. O Drex foi pensado nessa família: um real digital ligado ao Banco Central, voltado para transações com ativos financeiros digitais, com o uso pelo varejo apenas simulado no piloto.

O Pix é outra coisa. Ele já move reais entre contas em segundos e é como a maioria dos brasileiros paga uns aos outros. O Banco Central apresenta os dois como ferramentas distintas: o Pix para pagamentos do dia a dia em reais e o Drex para serviços financeiros com ativos digitais.

Nenhum dos dois é uma criptomoeda. O Pix move dinheiro entre contas de instituições reguladas, e o Drex, como foi desenhado, seria liquidado numa plataforma operada pelo Banco Central, não numa rede aberta em que qualquer um pode entrar.

O que mudaria para você se o Drex fosse lançado?

O argumento do Banco Central a favor do Drex são serviços financeiros mais baratos e simples. A página do Drex afirma que uma plataforma única e padronizada reduziria etapas e custos e permitiria que novos prestadores oferecessem serviços, como comprar um título público ou usar um investimento como garantia de um empréstimo, com a liquidação na mesma plataforma.

Nada disso muda o que você faz hoje. Os seus reais na conta bancária, as suas chaves Pix e os seus investimentos não são afetados pelo piloto. Se o Drex chegar a ser lançado para o público, ele chegaria a você pelo seu banco, como mais uma forma de a sua instituição cuidar do seu dinheiro, e não como uma moeda comprada de um desconhecido.

Até lá, avalie qualquer produto de dinheiro digital pelas perguntas que valem para todos: quem emite, o que lastreia, quem controla a conta e quanto custa entrar e sair.

No que uma stablecoin em dólar é diferente

Uma stablecoin em dólar como a USDC tem pouco em comum com o Drex, além de ser digital. Ela é emitida por uma empresa privada, a Circle; acompanha o dólar americano, e não o real; e já existe em blockchains públicas. A Circle informa que a maior parte das reservas fica num fundo do mercado monetário de títulos públicos e o restante em dinheiro em bancos.

No Brasil, as stablecoins têm regras próprias. Desde 2 de fevereiro de 2026, pela Resolução BCB 521, comprar, vender ou trocar ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária por meio de uma prestadora de serviços conta como operação de câmbio, assim como transferências de ou para uma carteira autocustodiada. A tabela compara os três.

Role para ler a tabela completa →
Drex, Pix e uma stablecoin em dólar
PerguntaDrexPixStablecoin em dólar
Quem opera ou emiteO Banco Central do Brasil, como piloto.O Banco Central do Brasil, com instituições participantes.Um emissor privado, como a Circle no caso da USDC.
MoedaReal.Real.Dólar americano.
Dá para usar hoje?Não; usuários finais não participaram do piloto.Sim, pelo seu banco ou app de pagamentos.Sim, por meio de prestadoras e carteiras.

O que o Lex oferece, e o que não oferece

O Lex não oferece Drex; ninguém pode oferecer ainda. O que o Lex oferece no Brasil é uma rota Pix para adicionar dinheiro. Quando ela está disponível para a sua conta, um depósito por Pix chega como wBRL, um token emitido pela Ripio que acompanha o real. O wBRL é um token privado numa blockchain pública, não é Drex nem dinheiro emitido pelo Banco Central.

Você pode manter wBRL ou convertê-lo em US Dollar, que é como o Lex mostra a USDC, com uma cotação que informa a taxa de câmbio e o mínimo que você vai receber. O Lex não cobra taxa pela conversão. O saldo fica numa conta de autocustódia que só você pode movimentar. O guia para comprar dólares digitais com Pix mostra cada etapa.

Se você está escolhendo entre manter reais e ter dólares, o Drex não muda essa decisão. Ele continuaria sendo um real, com a mesma exposição ao câmbio que os reais que você já tem.

Um exemplo: uma oferta para comprar Drex antes do lançamento

Exemplo ilustrativo. Marcos mora em Curitiba e recebe uma mensagem de um número desconhecido: uma plataforma vende Drex antes do lançamento, com bônus de 10% para quem converter a poupança agora por Pix. A mensagem traz um logotipo parecido com o do Banco Central e uma contagem regressiva.

Marcos confere as páginas do Banco Central. O piloto encerrou suas fases, os usuários finais nunca participaram e não há data de lançamento. Ninguém pode vender Drex, então a oferta é um golpe que usa o nome do projeto. Ele não responde e não paga.

Ele também avisa a mãe, que recebeu a mesma mensagem. Se ela tivesse pago, o certo seria procurar o banco imediatamente e perguntar sobre o mecanismo de devolução do Pix. Conferir a fonte oficial levou dois minutos; recuperar dinheiro enviado a um golpista é lento e incerto.

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